A
escola é um lugar privilegiado para construção do pensamento crítico na web
Vivemos
grandes momentos de transformação social, onde as tecnologias têm mediado as
diversas relações humanas, tanto nas comunidades como dentro das instituições
de ensino. Diante disso, é cada vez mais urgente pensar nas potencialidades da
escola em despertar, numa geração que já nasceu conectada, a análise dos meios
de comunicação e a construção crítica do pensamento na WEB.
A
partir de tal concepção, é preciso ampliar dentro das instituições, espaços de
escuta para fortalecer mais o espírito colaborativo, baseado no conhecimento do
outro, que pode agregar valor às práticas pedagógicas e fortalecer os vínculos
entre professores, estudantes e comunidade educativa.
Neste
cenário, é preciso ressignificar as práticas dentro das unidades de ensino,
quebrando modelos tradicionais, onde o professor é visto como mero transmissor
de conhecimento, colocando-o como protagonista do seu fazer pedagógico para que
ao refletir sobre suas práticas e as potencialidades dos educandos, os
estimulem também a serem protagonistas,
numa relação de diálogo e de troca de experiências.
Quando
a escola rompe com modelos tradicionais, a partir de Formação que permita
reflexões contínuas dos professores e dos estudantes, ela se torna um ambiente vivo, onde não há mais
as angústias do erro, pois percebem que tudo pode ser ressignificado,
replanejado a todo momento e que no mundo digital, onde as informações se
modificam minuto a minuto, estamos sujeitos ao erro, mas também ao exercício de
a partir dele reconstruir narrativas, opinar diante de uma postagem ou buscar
soluções para mediar os conflitos gerados pelo erro.
Frente
a isso, é preciso planejar o caminho que a escola precisa seguir quando se tem
o objetivo de construir o pensamento crítico na WEB, principalmente em
ambientes carentes, onde embora haja interesse dos jovens pela internet, há
também fragilidades e limitações nas Redes como a ausência de grandes
operadoras de telecomunicações.
Entretanto,
a precariedade dos serviços prestados à comunidade não deve servir como
desestímulo para que os jovens se aproprie das tecnologias e de seu uso
consciente, possibilitando-lhes o exercício da expressão, ampliação do cenário
onde vivem e a criação de mensagens que revelem seu cotidiano, suas
necessidades, inclusive as tecnológicas.
É
necessário aproveitar o momento em que estamos vivendo, no contexto da
pandemia, onde as fragilidades da Educação foram expostas, para provocar na
sociedade uma reflexão acerca da importância das tecnologias e o quanto ainda
temos que avançar para conquistar uma educação sem fronteiras, que podem ser
desenvolvida através do entendimento de que o ensino à distância, quando bem
planejado, pode romper as barreiras do tempo e do espaço para garantir
aprendizagens significativas e inibir a evasão escolar, pois jovens podem
acessar o conhecimento em lugares diversificados.
Pensar
na fragilidade do ensino remoto, não pode ser para desqualificá-lo, mas para
perceber o quão em pouco tempo, profissionais tiveram que se reinventar com
poucos recursos e que embora não tenham chegado ao desejável, por motivos
variados, foi uma oportunidade de rever a forma de ensinar, as metodologias e
conhecer ferramentas tecnológicas que antes não conheciam.
Deste
modo, ao se reinventar, o professor também pôde refletir sobre sua prática,
perceber o seu papel diante das tecnologias, diminuindo os ritmos de conteúdos
para estimular o diálogo com famílias que se encontravam fragilizadas, com seus
lutos, perdas de empregos e romper com a timidez de se expressar em ambiente
que não estavam incorporados à prática docente em muitos locais do país.
A
percepção do novo ritmo que deveriam dar as suas aulas, promovendo mais o
diálogo que o excesso de conteúdos, lançou aos professores a novos desafios,
pois através da escuta passou a perceber o ambiente em que jovens e crianças
estavam estudando e junto com as famílias planejaram espaços para deixarem os
estudantes mais confortáveis e preparados para o estudo.
Houve
também, a necessidade de entender como auxiliar os estudantes público alvo da
Educação Especial, que pelo excesso de tela e a luminosidade poderia aumentar o
estresse e desestimulá-los, bem como a própria família a continuarem o processo
de ensino-aprendizagem.
Assim,
em seu desafio em tempos remotos, os Profissionais da Educação além de
estimular as práticas que envolveram criação de blogs, uso de whatsaap, vídeos
chamadas e outras práticas necessárias para darem acesso às famílias aos
materiais educativos, possibilitaram a reflexão sobre o uso destas ferramentas,
suas responsabilidades, o uso do tempo, o respeito ao se relacionar em grupos e
isso foi um exercício para o reconhecimento do uso consciente da WEB e da
construção do pensamento crítico.
O professor está a todo momento recebendo o retorno do seu discurso e vê quanto é diferente o seu retorno. Se há alguém que em seu dia a dia recebe essa multiplicidade de uma forma ampla, são os professores, no seu cotidiano profissional, talvez até muito mais que jornalista, porque o jornalista está a serviço de uma pauta, sob uma chefia, sob um discurso, digamos hegemônico, ao qual tem que responder. Os professores também são representantes do discurso na instituição escolar, mas as contradições, a diversidade de realidade que vem do aluno, está mais próxima. (Revista Comunicação e Educação, n.17. pg.37-42).
Logo,
através desta aproximação com o estudante, do diálogo, do entendimento de sua
realidade, o professor e a escola possuem grande potencial em repensar a
realidade e a partir dela estimular o uso consciente da web, baseado em seus
princípios éticos e de respeito à diversidade tão presentes nela e que ora gera
estranhamento, ora gera discurso de ódio e que por isso precisa ser repensada,
visando o bem-estar social e o acolhimento das pessoas historicamente
excluídas.
Referências
Bibliográficas
CIDADE VIRTUAL: Novos cenários da
comunicação. Comunicação e Educação. São Paulo: CCA-ECA-USP, n.11. jan.1998.
Dalmo, D. A(2001). Direitos humanos
e cidadania. SP: Editora Moderna.
Muñoz C. (2004). Pedagogia da vida
cotidiana e participação cidadão. SP: Cortez Editora.

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