A escola é um lugar privilegiado para construção do pensamento crítico na web

   

fonte: Luís Paulo Braga/projetoeufuturo

Vivemos grandes momentos de transformação social, onde as tecnologias têm mediado as diversas relações humanas, tanto nas comunidades como dentro das instituições de ensino. Diante disso, é cada vez mais urgente pensar nas potencialidades da escola em despertar, numa geração que já nasceu conectada, a análise dos meios de comunicação e a construção crítica do pensamento na WEB.

A partir de tal concepção, é preciso ampliar dentro das instituições, espaços de escuta para fortalecer mais o espírito colaborativo, baseado no conhecimento do outro, que pode agregar valor às práticas pedagógicas e fortalecer os vínculos entre professores, estudantes e comunidade educativa.

Neste cenário, é preciso ressignificar as práticas dentro das unidades de ensino, quebrando modelos tradicionais, onde o professor é visto como mero transmissor de conhecimento, colocando-o como protagonista do seu fazer pedagógico para que ao refletir sobre suas práticas e as potencialidades dos educandos, os estimulem   também a serem protagonistas, numa relação de diálogo e de troca de experiências.

Quando a escola rompe com modelos tradicionais, a partir de Formação que permita reflexões contínuas dos professores e dos estudantes, ela  se torna um ambiente vivo, onde não há mais as angústias do erro, pois percebem que tudo pode ser ressignificado, replanejado a todo momento e que no mundo digital, onde as informações se modificam minuto a minuto, estamos sujeitos ao erro, mas também ao exercício de a partir dele reconstruir narrativas, opinar diante de uma postagem ou buscar soluções para mediar os conflitos gerados pelo erro.

Frente a isso, é preciso planejar o caminho que a escola precisa seguir quando se tem o objetivo de construir o pensamento crítico na WEB, principalmente em ambientes carentes, onde embora haja interesse dos jovens pela internet, há também fragilidades e limitações nas Redes como a ausência de grandes operadoras de telecomunicações.

Entretanto, a precariedade dos serviços prestados à comunidade não deve servir como desestímulo para que os jovens se aproprie das tecnologias e de seu uso consciente, possibilitando-lhes o exercício da expressão, ampliação do cenário onde vivem e a criação de mensagens que revelem seu cotidiano, suas necessidades, inclusive as tecnológicas.

É necessário aproveitar o momento em que estamos vivendo, no contexto da pandemia, onde as fragilidades da Educação foram expostas, para provocar na sociedade uma reflexão acerca da importância das tecnologias e o quanto ainda temos que avançar para conquistar uma educação sem fronteiras, que podem ser desenvolvida através do entendimento de que o ensino à distância, quando bem planejado, pode romper as barreiras do tempo e do espaço para garantir aprendizagens significativas e inibir a evasão escolar, pois jovens podem acessar o conhecimento em lugares diversificados.

Pensar na fragilidade do ensino remoto, não pode ser para desqualificá-lo, mas para perceber o quão em pouco tempo, profissionais tiveram que se reinventar com poucos recursos e que embora não tenham chegado ao desejável, por motivos variados, foi uma oportunidade de rever a forma de ensinar, as metodologias e conhecer ferramentas tecnológicas que antes não conheciam.

Deste modo, ao se reinventar, o professor também pôde refletir sobre sua prática, perceber o seu papel diante das tecnologias, diminuindo os ritmos de conteúdos para estimular o diálogo com famílias que se encontravam fragilizadas, com seus lutos, perdas de empregos e romper com a timidez de se expressar em ambiente que não estavam incorporados à prática docente em muitos locais do país.

A percepção do novo ritmo que deveriam dar as suas aulas, promovendo mais o diálogo que o excesso de conteúdos, lançou aos professores a novos desafios, pois através da escuta passou a perceber o ambiente em que jovens e crianças estavam estudando e junto com as famílias planejaram espaços para deixarem os estudantes mais confortáveis e preparados para o estudo.

Houve também, a necessidade de entender como auxiliar os estudantes público alvo da Educação Especial, que pelo excesso de tela e a luminosidade poderia aumentar o estresse e desestimulá-los, bem como a própria família a continuarem o processo de ensino-aprendizagem.

Assim, em seu desafio em tempos remotos, os Profissionais da Educação além de estimular as práticas que envolveram criação de blogs, uso de whatsaap, vídeos chamadas e outras práticas necessárias para darem acesso às famílias aos materiais educativos, possibilitaram a reflexão sobre o uso destas ferramentas, suas responsabilidades, o uso do tempo, o respeito ao se relacionar em grupos e isso foi um exercício para o reconhecimento do uso consciente da WEB e da construção do pensamento  crítico.

O professor está a todo momento recebendo o retorno do seu discurso e vê quanto é diferente o seu retorno. Se há alguém que em seu dia a dia recebe essa multiplicidade de uma forma ampla, são os professores, no seu cotidiano profissional, talvez até muito mais que jornalista, porque o jornalista está a serviço de uma pauta, sob uma chefia, sob um discurso, digamos hegemônico, ao qual tem que responder. Os professores também são representantes do discurso na instituição escolar, mas as contradições, a diversidade de realidade que vem do aluno, está mais próxima. (Revista Comunicação e Educação, n.17. pg.37-42).

Logo, através desta aproximação com o estudante, do diálogo, do entendimento de sua realidade, o professor e a escola possuem grande potencial em repensar a realidade e a partir dela estimular o uso consciente da web, baseado em seus princípios éticos e de respeito à diversidade tão presentes nela e que ora gera estranhamento, ora gera discurso de ódio e que por isso precisa ser repensada, visando o bem-estar social e o acolhimento das pessoas historicamente excluídas.

 

                    Referências Bibliográficas

                      CIDADE VIRTUAL: Novos cenários da comunicação. Comunicação e Educação. São                            Paulo: CCA-ECA-USP, n.11. jan.1998.

                       Dalmo, D. A(2001). Direitos humanos e cidadania. SP: Editora Moderna.

                       Muñoz C. (2004). Pedagogia da vida cotidiana e participação cidadão. SP: Cortez                                   Editora.

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